Os dados divulgados em 29 de outubro acrescentaram uma informação importante ao diagnóstico fiscal brasileiro. Segundo o Tesouro Nacional, o Governo Central registrou superávit primário de R$ 4,839 bilhões em setembro de 2026, acima da mediana do Prisma Fiscal, que previa déficit de R$ 7,5 bilhões. Apesar do resultado positivo no mês, o Governo Central ainda acumulava déficit de R$ 90,2 bilhões entre janeiro e setembro.
A composição das receitas ajuda a entender por que um superávit mensal não comprova, isoladamente, uma melhora duradoura. Segundo o Tesouro, o cancelamento judicial de precatórios de exercícios anteriores permitiu a devolução de R$ 12,8 bilhões à União, registrados como receitas não administradas pela Receita Federal. Também houve crescimento de outras receitas, incluindo Imposto de Renda e recursos ligados à exploração de petróleo. O resultado oficial permanece válido, mas parte de sua melhora esteve associada a um ingresso extraordinário que não deve ser presumido como recorrente.
Há ainda diferenças entre os indicadores divulgados. Na metodologia do Banco Central, o Governo Central apresentou superávit de R$ 3,5 bilhões em setembro, enquanto o setor público consolidado — que inclui governos regionais e as empresas estatais abrangidas pela estatística do Banco Central — registrou déficit primário de R$ 5,5 bilhões. Os valores não são contraditórios: Tesouro e Banco Central utilizam métodos de apuração diferentes, e o consolidado possui abrangência institucional maior.
O peso do endividamento continua relevante. Segundo o Banco Central, os juros nominais apropriados pelo setor público consolidado somaram R$ 1,205 trilhão nos 12 meses até setembro, equivalentes a 8,99% do PIB. Já a dívida bruta do governo geral permaneceu em 82,9% do PIB entre agosto e setembro. Embora tenham períodos e conceitos distintos, esses indicadores mostram por que a sustentabilidade fiscal exige acompanhar a recorrência das receitas, a evolução das despesas, o custo dos juros e o crescimento da economia — fatores que influenciam, em conjunto com outros ajustes, a trajetória da dívida em relação ao PIB.
Veja a analise da Integer Mundo sobre esse tema após a reeleição de Lula. https://integermundo.com.br/p/lula-reeleito-desafio-fiscal-novo-mandato
Ministério da Fazenda / Tesouro Nacional. Governo Central registra superávit de R$ 4,839 bilhões em setembro, mostra o Tesouro Nacional. 29/10/2026.
https://www.gov.br/fazenda/pt-br/assuntos/noticias/2026/outubro/governo-central-registra-superavit-de-r-4-839-bilhoes-em-setembro-mostra-o-tesouro-nacionalTesouro Nacional. Resultado do Tesouro Nacional (RTN) — setembro de 2026. 29/10/2026.
https://www.tesourotransparente.gov.br/publicacoes/boletim-resultado-do-tesouro-nacional-rtn/2026/9Banco Central do Brasil. Estatísticas fiscais — nota para a imprensa de 29/10/2026.
https://www.bcb.gov.br/estatisticas/estatisticasfiscais?lead=false-WECONTAgência Brasil. Contas do governo têm superávit de R$ 4,8 bilhões em setembro. 29/10/2026.
https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-10/contas-do-governo-tem-superavit-de-r-48-bilhoes-em-setembroCapa: Banco central do Brasil, Agência Senado from Brasilia, Brazil, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons

